10 de janeiro de 2018

A ver se me situo...

-Portanto, todas as pessoas que tiraram fotos, abraçaram efusivamente ou demonstram em público algum tipo de cumplicidade com quem mais tarde se revela ter tido um percurso de chantagem de qualquer foro, em relação a quem da sua decisão dependia para chegar ao que se propôs, é igualmente uma pessoa de cariz  dúbio, na medida que se não sabia... soubesse. 

- O facto de haver mulheres que praticam esses mesmos  actos, ainda que em minoria em relação ao elemento masculino  - que, por razões sobejamente conhecidas ainda continua, em termos e assuntos gerais, a mandar nisto tudo - de certa forma como que invalida a acção do mesmo. "Eles fazem, mas também há mulheres que o fazem". Dá assim a impressão que as contas ficam saldadas, uma filha da putice lava a outra e não se fala mais disso. 

- É facil dizer "não". Eu cá já o fiz umas quantas vezes ( sobretudo ao consumo de açúcar e sabem só os deuses o que isso me custou), mas a propostas desagradáveis também ( do género, quer pagar a pronto? quando há a opção de suaves prestações mensais sem juros, ou do IMI, ou do IRS, da água, luz e gás então é todos os meses) assim como de assédio,  eu e praticamente tudo que nasceu com uma vagina, tanto dos burgessos que por aí andam, quanto de um muito em particular que me abespinhou sobremaneira. Contudo, no mundo onde me movimento, um vai prá puta que te pariu costuma ser suficiente. A pessoa vai, ou não, é cagativo, e cada um segue o seu caminho.  
Já quando se fala em paragens onde alguém tem a faca e o queijo em mãos e os destinos de outrém são ditados pela prepotência de quem se rege por predatismos, perfeitas pústulas - homens ou mulheres -  que fizeram, e fazem, desse acto a coisa mais natural do mundo, como se fossem pequenitos reis  que consideram só justo exigir este ou aquele retorno pelo simples facto de terem olhado para A ou B, independentemente do potencial  lógico  a ser avaliado e em virtude de uma cultura estabelecida desde a altura dos primatas, a recusa do hipotético assediado leva à  sua segregação desse mesmo mundo - porque ninguém diz "não" a um pequenito rei sem ter que mudar de profissão ou sonho, que é como quem diz, fica com o curriculum todo fodido, a menos que se apresente à função desejada com uma porção de referências a quem, ou por quem,  o pequenito sinta algumas reticências em contrariar - mas, apesar de toda essa pressão social estabelecida, em vigor, e olhada por muitos como um leve senão, quem está errado é quem agora os denuncia. 

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6 comentários:

  1. Devias, como o sr. Dr. Juiz, ler mais a Bíblia. Percebias logo que sim, que há mulheres que seduzem e violam homens. Eva é o primeiro caso, embora Adão estivesse a pedi-las, naqueles preparos. Deus castigou os dois. Depois, fica sabendo que "o desconhecimento da lei, não a invalida". A senhora que abraçou efusivamente o estafermo, mesmo não tendo tido a possibilidade de o espreitar no vão da vida podre que o homem mantinha no escurinho do cinema, devia ser lapidada. Não digo assediada ou violada,mesmo que soubesse para o que ia, porque só aos grandes "trambolhos" isso acontece. Mulheres extraordinariamente bonitas e/ou inteligentes sabem para o que vão e o que as espera. Menos um mito: as mulheres bonitas afinal sabem o que querem e sobretudo para sabem para onde vão. As ranhosas inocentes, estão tramadas.
    Também não me parece útil que lhes recomendes silêncio, tanto a umas como a outras. Basta ouvir o que se ouve na boca das "grandes senhoras" deste submundo. Continuam caladas.

    Gaffe

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    1. Grande Gaffe, a dizer como só ela sabe.

      Acrescento somente, pecando por estragar o momento - mas é que não consigo anular-me quando o assunto me parece tão básico, lógico e óbvio - que a tal carta encabeçada pela Cahterine Deneuve, quanto a mim, espelha tão só os velhos costumes há séculos instalados e perpretados por sobretudo mulheres, que aceitam, desvalorizam e até incentivam ao mais do mesmo, passando as mãos pela cabecinha do porco que cresceu convicto de que pode tudo, quiçá à conta daquilo da "liberdade sexual", conforme o título da tal carta. "Defendemos a liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual". "Importunar", toda a gente sabe, abarca abusos de poder e/ou chantagens, "importunar" não conhece nem tem que conhecer limites. Aquilo nascem, as mãezinhas põem-lhes as mocas nas mãos e mandam-nos "importunar" o pessoal, porque giro mesmo é podermos chamar a um filho da puta, de filho, na medida em que é sexualmente um free do catano. Um garanhão. Um papa tudo, a bem ou a mal, e se for a mal, pá, ainda melhor, a tipa que não se armasse em parva e assim sempre se pode passar à frente a prática da excelsa arte da conquista que - dizem esses porcos e muita matrona concorda - aparenta ser pra meninos. Aquela, deve ser a mesma parva a quem ainda lhe faz espécie, e diferencia, um piropo perfeitamente inofensivo - aliás, "piropo", pra mim, é mesmo exclusivamente aquilo, é um galanteio - de um jorrar de intenções nojentas e ofensivas.

      Mas é claro que estou a ser uma feminista ferranha, logo, odeio os homens, logo, faço parte de uma intifada pra acabar com eles. (Como se me passasse pela cabeça tal coisa, logo eu que nunca mudei um pneu em toda a minha vida..)

      A Mulher é um bicho perigoso, minha amiga. Há as que fazem igual aos como os que agora estão na berlinda, e há as que fazem como só nós sabemos fazer: comprando-lhes os afectos por intermédio da concordância. Ainda hei-de ler esse pessoal a afirmar que sempre pudemos votar, por exemplo, trabalhar fora de casa, estudar, e que a liberdade de expressão de que hoje auferem, é uma cena que as anteriores sempre tiveram à sua disposição e que só dela não usufruiram, porque andavam distraídas a contar bagos de arroz.

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  2. A Deneuve esticou tanto, mas tanto, o que nunca deixou de envelhecer que acabou por espalmar o discernimento.
    Fiquei pasma com o "importunar é essencial à liberdade sexual". Ninguém diria que a Deneuve tinha uma costelita Masoch! A marota!
    Não paro de a imaginar com a cara toda segura por alfinetes a tentar gritar :"importuna-me, 'mor! Tu dá-lhe forte! Chama-me ... tola" - apesar de tudo, é uma senhora. Nada de mais inoportuno.
    É admirável como ainda se tenta resistir ao avançar do tempo e se tenta salvaguardar estas touradas - e não estou a falar da Deneuve.

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    1. Ahh, mas eu só falei dela porque parece que o chorillho de disparates que subscreveu, é o trunfo de quem defende atitudes e posturas paleolíticas. Se a Deneuve diz, né, lá está... deve ser porque é o mais assertivo a seguir-se. Uma atriz tão fantástica, terá necessariamente que ser fantástica em tudo, não pode ser uma parva de merda de quando em vez.
      Mas pode.
      E foi.
      Porém continua a ser uma atriz fantástica.

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