22 de outubro de 2017

Uma pouca vergonha nunca vem só




Isto é verdade. Isto aconteceu. Em 2017.




- "Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem."

 * Sim! sim! sim! Do homem. Pois. 

- "Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte."

* :(  

Existem sim, é verdade.

A quem é que a Mulher Portuguesa deve agradecer por (quase) não viver numa delas, ó xotôr?  



- "Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte"

* "Na Bíblia". Exactamente. Eu gosto muito da Bíblia. Por variadíssimas razões, mas essa que menciona é das minhas preferidas.  Desde muito pequenina que  me deslumbro com a Bíblia, sabe? Lá pode-se ler praticamente de tudo, desde "amai-vos uns aos outros", ou "quem nunca pecou que atire a primeira pedra", e etc, e depois isso que menciona. 
É da Bíblia e de palavras cruzadas. Gosto muito. 



- "Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse. "

* Disse  1886?
Ehhp... 
Pouco mais de um século. 
Em termos evolucionais isso é (comprovadamente) um peidinho, xotôr. 
Tem toda a razão. 
Foi ontem. 
E mesmo ontem, xotôr, fazia todo o sentido. 

Exactamente o mesmo sentido que me faz o senhor estar sentado aí onde está, a  discernir e deliberar com estas maravilhosas contrafações de raciocínio, sobre os assuntos da vida alheia que lhe passam pelas mãos.  


2 comentários:

  1. Eu fico sem palavras quando vejo coisas destas... mas fico cheia de medo ao saber que o poder de mexer com a vida das pessoas está nas mãos de gente desta.
    O incentivo à violência não é crime?...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Depende. Se falarmos de mulheres, parece que não, uma vez que o juiz não só condena os criminosos a penas suspensas, como volta a agredir a vítima com aquela argumentação execrável que se pode ler. Porque como leu a Bíblia e agora se acha um qualquer deus estranho, também acha por bem perpetuar a cultura da supremacia masculina. E cá vamos nós andando entregues a esta bicharada.

      Isto aconteceu este mês. Todavia já li que no ano passado, num caso de contornos semelhantes, a argumentação foi alicerçada nos mesmos princípios.

      Não sei quanto faltará pra batermos mesmo no fundo, mas algo me diz que ainda vamos a meio...

      Eliminar