quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Agora uma beca mais a sério, mas sem se perder muito tempo que o Tempo não tem tempo pra isto

Quando alguém quer referir comportamentos fora da norma que remontem ao desde sempre, e nesse contexto compara a homossexualidade à PEDOFILIA, alegando  que embora sendo o 1º   um comportamento "fora da norma" hoje é  aceite pela sociedade "(e ainda bem)", sendo que já o 2º  é  um fora da norma  completamente imoral, o comum mortal deve pensar o quê, para além de subscrever o óbvio atestado de tendenciosismo, voluntário e malicioso,   subjacente à tão só comparação entre aqueles comportamentos?

Quando se fala nas éticas  supostamente postas em causa quanto à questão de barrigas de aluguer, alegando-se que estas ultrapassam em muito o direito de  um par de  homossexuais a terem um filho biológico, pondo-se de parte a quantidade de casais hetero que recorrem à mesma prática, o comum dos mortais deve pensar o quê, para além de subscrever o óbvio tendenciosismo, voluntário e malicioso,  subjacente àquela afirmação?

Quando alguém diz que as suas ideias ou convicções se formaram devido a várias conversas tidas ao longo dos tempos e que são fruto de muita reflexão, o comum mortal deve pensar o quê, para além de se questionar muito seriamente sob que efeito de  que raio de substância  terão decorrido as mesmas?


Por fim, e porque tenho mesmo que tratar de  repôr a minha adega que levou um rombo do catano só entre ontem e hoje, quando se afirma  que não devemos fazer o papel da Natureza, é só quando e muito específicamente em  assuntos relacionados com a homossexualidade, ou é em termos gerais - o que significaria, por exemplo, que eu e a minha filha teriamos morrido ao tentar dar eu  à luz, que não haveria a fertilização in vitro, ou transplantes de orgãos e por aí fora..? 

Para remate, volto a referir que em casos como os do Dr. Gentil Martins  estou completamente de acordo com a Ordem dos Bastonários, "enquanto cidadão ele tem o direito de as proferir". Por outro lado, a sua  mais que merecida posição de destaque na Medicina deveria pressupor-lhe que afirmações baseadas em convicções pessoais, serão ouvidas com a mesma atenção com que as que profere enquanto Médico - já que foi esta actividade que o trouxe ao conhecimento do público - que as proferiu publicamente,  sem o menor requício de fundamento científico em relação à homossexualidade quando a este grupo se refere nos termos em que o fez,  e que em relação ao Cristiano Ronaldo foi de uma imbecilidade atroz, talvez convicto de que o poderia ser, dada a sua posição. Um "estupro moral", quanto a mim, é todo aquele que assim se refere a outro(s), simplesmente porque as sua(s) vivência(s) e opções lhe comicham com qualquer coisa. "Estupro moral" é referir-se a Mãe de alguém, atribuindo-lhe défices de valores, valores esses que são perspectivados por cada um de acordo e em comparação com os seus próprios, portanto e em suma, foi vilipendiado porque vilipendiou. "Estupro moral" é que ainda se continue a avaliar um ser tendo por base a sua opção sexual, quando e ainda que se trate de alguém de contributo construtivo aos seus e à tão merda de sociedade em que vivemos. "Estupro moral" é o próprio Dr. Gentil Martins, que se arroga ao direito de, publicamente ou não, definir naqueles termos quem parece ser feliz com as opções tomadas. É não se compreender que observações assim e  sobretudo ditas por quem naquela posição, são o que reforça as convicções do hetero obtuso, que, revoltado com a opção alheia, os mata à pancada. Estupros morais são as mais picantes deste mundo, que crentes em Deus, estabelecem ali uma qualquer superioridade de valores nos quais só elas acreditam e estão bem assim, acreditando também muito piamente no milagre que sonharam  ter-lhes conferido a  missão de pequenos Moisés, e por tal estarem  isentas de desvios ou pecado - ou pelo menos, nunca tão desviadas ou pecadoras quanto um homossexual - na mesma medida em que estão isentas de noção.  Perfeitos e completos epítomes do estupro moral.   


Pronto, é só. 


   


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